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Tênis novo, camiseta do kit, meia nova: o que não estrear no domingo da prova (mesmo com o supertênis recém-lançado)
Por Bruno AlmeidaEquipamento e tênis
O calendário aperta nesta semana. O feriadão vai de 10 a 12 de outubro (a segunda, 12, é dia de Nossa Senhora Aparecida). No domingo, 11, tem meia maratona em Uruguaiana (RS) e em Rondonópolis (MT). No domingo seguinte, 18, correm a Athenas Run Longer, em São Paulo, e a Meia de Goiânia. Muita gente retira o kit entre 7 e 10 de outubro: o regulamento de Uruguaiana marca a entrega para 7, 8 e 9/10, e o de Rondonópolis, para 9 e 10/10. Para quem corre no dia 18, a Athenas entrega de 15 a 17/10. Quem escolheu kit com camiseta leva a peça nova para casa a poucos dias da largada. Em Rondonópolis, o kit VIP traz camiseta oficial e também uma meia esportiva personalizada; o kit básico não inclui camiseta.
A vitrine também ajuda a criar vontade. A adidas lançou o Adios Pro 5 em 22 de setembro, como registrou o Corrida no Ar. A PUMA trouxe ao Brasil a cor “Sunny Lime” da linha NITRO, segundo o Pernambuco Running em 2 de outubro. Isto não é review nem sugestão de compra. Os lançamentos só explicam por que tanta gente olha para a caixa nova e pensa em estrear tudo no domingo. A velha regra das provas continua valendo, nada novo no dia da prova, e dá para aplicá-la peça por peça.
A camiseta do kit: bonita na sacola, desconhecida no corpo
A camiseta da prova é feita para milhares de pessoas, e o seu corpo ainda não a conhece. O tecido pode ser mais grosso ou mais áspero que o da camiseta de treino. A costura do ombro e da lateral pode cair em outro lugar, a etiqueta pode ficar bem na nuca e o corte pode sobrar ou apertar justamente no tamanho escolhido na inscrição. Numa meia maratona, isso significa uma, duas horas ou mais de suor e movimento repetido sobre os mesmos pontos. Axila, mamilo, gola e a área em volta do número de peito são onde o atrito costuma aparecer.
A regra prática: só corra a prova com a camiseta do kit se você já treinou com ela. Quem retira o kit entre quarta e sábado e larga no domingo não tem tempo para um treino longo de verdade com a peça. Um trote curto mostra se a etiqueta incomoda ou se a costura é grosseira, mas não mostra o que acontece depois de uma hora molhada de suor. Nesse caso, se o regulamento da sua prova não exigir a camiseta do kit, vá com a que você já conhece. A nova fica para a foto da chegada, o pós-prova e os treinos das próximas semanas.
As dicas da Academia Americana de Dermatologia para evitar atrito e bolhas vão na mesma linha: roupa que afasta o suor da pele, distância do algodão, que encharca, e atenção às áreas que costumam assar. A camiseta que já funcionou em treino continua sendo a única que você sabe como se comporta no seu corpo.
Tênis recém-comprado: quantos treinos antes da prova?
Não existe número mágico, e vale desconfiar de quem crava um. A orientação que aparece em publicações de corrida é usar o tênis novo em alguns treinos da preparação, de preferência com pelo menos um mais longo ou com um trecho no ritmo que você pretende correr, usando a meia e a amarração do dia da prova. É nesses treinos que aparecem as perguntas que importam. O calcanhar escapa? O dedão encosta na frente quando o pé incha? O cadarço aperta o peito do pé? Surge algum ponto quente na lateral?
Duas situações são bem diferentes:
- Par novo do mesmo modelo que você já usa. A forma é conhecida. Poucos treinos curtos costumam bastar para conferir se está tudo igual ao par antigo.
- Modelo, marca ou categoria diferente. É o caso de quem fez o ciclo inteiro com um tênis de treino e acabou de comprar um supertênis de prova. Aqui o teste precisa ser mais completo: mais de uma saída e pelo menos um treino em que o tênis seja usado por mais tempo e no ritmo pretendido.
Na conta do calendário, quem corre no domingo, 11, e ainda não calçou o tênis novo para correr tem pouca margem. A semana da prova também não é hora de inventar treino extra só para “amaciar” o par. O caminho mais tranquilo é largar com o tênis que fez a preparação e estrear o novo depois, sem pressão. Quem corre no dia 18 tem um pouco mais de folga para usar o tênis nos treinos que já estavam na planilha, sem aumentar volume nem intensidade por causa dele. Se o par incomodar em qualquer um desses treinos, ele fica para outra prova.
Isto é orientação prática de equipamento, não protocolo clínico. Nenhum tênis garante prova sem dor ou sem lesão. O teste em treino serve para evitar surpresa de ajuste e de atrito no meio do percurso. Se você tem acompanhamento profissional por causa de alguma lesão, a troca de calçado entra nessa conversa.
Meia, short, cinto, viseira e relógio: o detalhe que vira problema no meio da prova
- Meia. Espessura diferente muda o espaço dentro do tênis, uma costura na ponta pode cair em cima do dedo e meia nova pode escorregar. Na prova, vá com a meia que já foi para os longões junto com o tênis da prova. Se a meia veio no kit, ela segue a mesma regra da camiseta.
- Short ou bermuda. Forro interno, cós e costura entre as coxas só se mostram com suor. Bolso com gel, chave ou celular pesa e balança de um jeito diferente em cada modelo.
- Cinto, pochete ou porta-número. Tudo que fica preso ao corpo e balança pode gerar atrito na cintura e na lombar. Teste com a carga real (celular, gel, chave), não com ele vazio.
- Viseira e boné. A faixa pode apertar a testa depois de uma hora e a aba nova pode pingar suor no olho. Se é novo, vale uma saída antes.
- Relógio novo. O problema raramente é só a pulseira. É a tela que você não sabe ler correndo, o alerta que não sabe desligar, a volta automática configurada errado, a bateria que ninguém carregou ou o GPS demorando na largada. Se o relógio chegou agora, configure, carregue e leve para um treino antes. Se não der tempo, o antigo resolve.
Óculos e fones novos entram na mesma lista. Pressão atrás da orelha, lente embaçada e encaixe que solta só aparecem com o corpo em movimento.
O que dá para estrear sem drama
A régua é simples: se o item não fica horas encostado na pele em movimento e não muda o jeito como você pisa ou carrega peso, o risco de surpresa é pequeno.
- A roupa do pós-prova: camiseta seca, casaco, chinelo. A camiseta do kit cabe aqui.
- O tênis novo, para a caminhada de volta para casa ou para o passeio do feriado, e não para a prova.
- A sacola ou mochila do guarda-volumes, dentro das regras da sua prova.
- O agasalho da espera da largada, que sai do corpo antes de você começar a correr.
- O que fica na sacola: toalha, garrafa para depois, uma muda de roupa.
- Uma playlist nova, desde que o fone seja o de sempre.
No fim, a regra não é contra o material novo. É a favor de conhecer o material antes da largada. Camiseta, tênis, meia, short, cinto, viseira e relógio se comportam de um jeito em casa e de outro depois de uma hora de suor. Leve cada peça nova para um treino de verdade antes de levá-la para uma prova. O que chegou nesta semana pode esperar a próxima largada, e o supertênis recém-comprado pode estrear com calma num treino depois do feriadão.
