Sem horário de verão, você vai treinar no escuro: o que usar para o motorista te ver
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    Night run

    Sem horário de verão, você vai treinar no escuro: o que usar para o motorista te ver

    Bruno Almeida

    Por Equipamento e tênis

    Não vai ter horário de verão de novo. O relatório de monitoramento da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, do Ministério de Minas e Energia (MME), datado de 31/08/2026, diz que os estudos do ONS "não indicam a pertinência de implementação do Horário de Verão em 2026/2027". O ministério repetiu a conclusão em nota à imprensa em 21/09. Na prática, quem sai do trabalho e vai correr continua treinando no escuro, e o mesmo vale para quem vai às night runs de 24 e 31/10, incluindo o caminho até a largada e a volta para casa.

    Ser visto e enxergar são problemas diferentes

    Ser visto é o motorista perceber, de longe, que há uma pessoa ali. Enxergar é você ver o buraco, o meio-fio e a raiz de árvore na calçada. Uma coisa não resolve a outra: o refletivo só brilha quando a luz do farol bate nele, e não ilumina nada para você. A luz de cabeça ou de peito ilumina o seu caminho, mas sozinha não mostra para o motorista que aquele ponto de luz é uma pessoa correndo.

    Por que só o colete não basta

    O grupo da pesquisadora Joanne Wood, da Queensland University of Technology, com Richard Tyrrell, da Clemson University, estuda há anos o que faz o motorista reconhecer um pedestre à noite. Dois trabalhos ajudam aqui:

    • Wood, Tyrrell, Lacherez e Black (Ophthalmic and Physiological Optics, 2017): 14 motoristas jovens dirigiram à noite em um circuito fechado. Os pedestres, de roupa preta, marchavam no lugar à beira da pista. Quando usavam só um colete refletivo padrão, os motoristas os reconheceram, em média, a 184,5 m. Quando o colete vinha acompanhado de marcadores refletivos posicionados nas articulações, de forma a desenhar o movimento do corpo (o que os autores chamam de biomotion), a distância média subiu para 319,1 m. Com os marcadores, os motoristas também perceberam antes para que lado o pedestre estava virado: 215,4 m, contra 95,6 m só com o colete.
    • Balk, Tyrrell, Brooks e Carpenter (Perception, 2008): 120 participantes foram levados de carro, à noite, por uma estrada aberta, com um pedestre parado ou marchando no lugar em uma calçada sem iluminação. Os marcadores refletivos nas articulações foram reconhecidos de mais longe, e só tornozelos e punhos já tiveram um bom resultado. O colete refletivo não se saiu melhor do que a roupa preta sem nenhum refletivo.

    A explicação dos autores é que o cérebro reconhece rápido o desenho de um corpo em movimento, e pontos de luz nas partes que se mexem formam esse desenho. São experimentos controlados, com poucos motoristas e condições específicas, e não uma garantia para a rua. Mas a direção é clara: colete ajuda pouco sozinho, e refletivo em tornozelos, punhos e joelhos vale mais.

    Fluorescente é para o dia; à noite, refletivo e luz

    A cor fluorescente (o amarelo-limão, o laranja-neon) se destaca com luz do sol. À noite, sem essa luz, ela vira só uma cor clara. Quem devolve a luz do farol para o motorista é o material refletivo, aquelas faixas prateadas que brilham na foto com flash. A camiseta neon ajuda no fim de tarde, mas não substitui o refletivo depois que escurece.

    Luz na frente para enxergar, luz atrás para ser visto

    • Na frente, luz de cabeça ou de peito para ver o piso. A de peito costuma fazer menos sombra nos desníveis; a de cabeça ilumina para onde você olha.
    • Atrás, luz vermelha piscante na cintura, na mochila ou na parte de trás do boné, para quem vem na mesma direção.
    • Lanterna de trilha e luz para rua não são a mesma coisa. A de trilha é feita para iluminar o chão em mata fechada e costuma ser mais forte e mais pesada. Na rua com poste, uma luz mais simples basta para ver a calçada. Um guia da Continue (consultado em 21/10/2026) cita de 50 a 100 lúmens para enxergar buracos em treino por bairro e 300 lúmens ou mais para trilha técnica. Trate esses números como referência, não como regra.

    Teste da lanterna do celular

    Refletivo gasta com lavagem, sol e atrito. Para saber se o seu ainda funciona, pendure a peça ou peça para alguém segurá-la a alguns metros, em um lugar escuro. Acenda a lanterna do celular perto dos seus olhos e olhe para a peça. Refletivo bom brilha forte de volta. Se a faixa ficou opaca, descascada ou rachada, ela já não faz o trabalho e merece ser trocada.

    O trajeto até a largada também conta

    Nas night runs de 24 e 31/10, o percurso costuma ser fechado e iluminado, mas o caminho até a arena, o estacionamento e a volta para casa não. A lista das provas noturnas de 24 e 31/10 tem horário de largada e local de cada uma, e o plano de treinos e sono para a prova de sábado ajuda a organizar a semana. Leve as faixas refletivas e a luz traseira na mochila mesmo se não for correr com elas na prova, e confira no regulamento se há regra sobre luz ou fantasia.

    Hábitos que não custam nada

    • Escolha a rota mais iluminada, mesmo que seja mais curta e você tenha de dar mais voltas.
    • Onde não há calçada, corra contra o fluxo, de frente para os carros, para ver quem vem.
    • Fone em volume baixo, ou em um ouvido só, para ouvir carro, moto e bicicleta.
    • Compartilhe a localização em tempo real com alguém de confiança e avise a hora prevista de volta.
    • Para montar o resto do kit, veja também o que vestir para ser visto sem comprar tênis novo.
    • Não conte que o motorista te viu: em cruzamento e saída de garagem, espere o carro parar ou passar.

    Se for treinar na chuva nesta semana

    O Informativo Meteorológico nº 42/2026 do Inmet, publicado em 19/10/2026, prevê de 30 a 80 mm de chuva em São Paulo, no Rio de Janeiro e no sul do Espírito Santo, principalmente entre quinta (22) e segunda (26), o que inclui o sábado. No Sul, o instituto prevê temporais e acumulados de 70 a 150 mm em cinco dias no norte e noroeste do Rio Grande do Sul, no oeste, meio-oeste e leste de Santa Catarina e no Paraná. Para o Nordeste, a previsão é de tempo estável na maior parte da região. Com chuva, o vidro embaça, o asfalto molhado reflete os faróis e o motorista enxerga menos. Luz ligada na frente e atrás, refletivo nas articulações e um boné com aba para tirar a água dos olhos fazem mais diferença do que em noite seca. Se houver aviso de tempestade, a esteira ou o descanso são opções melhores.

    Se só der para comprar uma coisa hoje

    Compre um par de faixas refletivas para os tornozelos. São leves, não usam pilha e ficam justamente na parte do corpo que mais se mexe, o que, segundo os estudos acima, ajuda o motorista a perceber mais cedo que há uma pessoa correndo. Se a sua rota tem trechos sem poste, o segundo item é uma luz de cabeça ou de peito para enxergar o chão. Nenhum equipamento garante que você não será atingido por um carro; ele só aumenta as chances de você ser notado a tempo.

    Independência editorial

    Esta matéria não é publicidade. Não citamos marcas e não usamos links de afiliado. As informações sobre o horário de verão são do MME (relatório de 31/08/2026), a previsão é do Inmet (19/10/2026) e os números de distância são dos estudos citados, consultados em 21/10/2026.

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