
Treino
Faltam 4 dias para a meia de domingo: o que comer, beber e o que NÃO experimentar até a largada
Por Camila RochaNutrição e recuperação
Domingo, 18 de outubro, tem largada de meia em vários cantos do país, como a Mizuno Athenas Run Longer, em São Paulo, e a Unimed Meia Maratona de Goiânia. Se você está inscrito, o que falta agora não é treino: são quatro dias de prato, copo e cabeça fria. Retirada de kit e horários estão na matéria da semana da prova; aqui o assunto é o que acontece na sua cozinha de quarta a sábado.
Este é um guia geral, sem dose, sem cardápio e sem plano individual. Se você tem diabetes, doença renal, cardíaca ou gastrointestinal, histórico de transtorno alimentar ou usa medicamento contínuo, combine qualquer ajuste com quem te acompanha.
O que muda em relação à semana inteira
Na semana da meia, publicada em 05/10, a ideia central foi continuidade: repetir o que você já come e não inventar carga de carboidrato de última hora. Isso continua valendo. A reta final só acrescenta um ajuste fino: não comer mais, e sim deixar o prato mais fácil de digerir e um pouco mais puxado para o carboidrato que você já conhece.
O posicionamento conjunto de 2016 da Academy of Nutrition and Dietetics, da Dietitians of Canada e do American College of Sports Medicine (ACSM, 2016) e a revisão de consenso do Comitê Olímpico Internacional sobre carboidratos (Burke e colegas, 2011) descrevem a carga de carboidrato clássica como estratégia para provas mais longas, perto de uma maratona. Para uma meia, os mesmos textos tratam como suficiente chegar bem alimentado, com as refeições dos dias anteriores em ordem. Ou seja: nada de mutirão de massa.
Quarta e quinta: o prato de sempre, com leve ajuste
- Mantenha os horários de refeição da rotina; nervoso não é motivo para pular almoço.
- Deixe o carboidrato conhecido ganhar um pouco mais de espaço no prato: arroz, macarrão, batata, mandioca, pão, cuscuz, tapioca, fruta.
- Não aumente o tamanho total do prato. O treino da semana já ficou mais leve, e comer muito além do costume tende a pesar no sábado.
- Se você costuma comer muita fibra (feijão em dobro, integrais, saladas grandes), não precisa cortar ainda, mas também não é semana de aumentar.
Sexta e sábado: menos volume, menos fibra, menos gordura por refeição
Nos dois últimos dias, a meta é chegar no domingo com o intestino tranquilo. Algumas trocas simples costumam ajudar:
- Refeições em porções normais, talvez divididas em mais vezes, em vez de um prato enorme à noite.
- Menos fibra pesada: salada grande, casca, grão integral e feijão em quantidade maior que o hábito podem ficar para segunda.
- Menos fritura e molho gorduroso, que demoram para sair do estômago.
- Jantar de sábado conhecido e sem pressa, numa hora que deixe você dormir sem estufamento. Massa com molho simples, arroz com frango, sanduíche de pão branco: qualquer coisa que você já comeu antes de um longão.
Beber ao longo dos dias, não de uma vez na véspera
Hidratação começa na quarta, não no sábado à noite. Beba ao longo do dia, guiado pela sede, e use a cor da urina como pista: clara a amarelo-palha costuma indicar que está tudo bem. Tomar garrafas e garrafas na véspera não armazena água para a prova; o mais provável é você levantar várias vezes de madrugada e ainda fazer fila no banheiro da largada. Se a previsão for de calor, vale reler o texto sobre hidratação e sódio na primavera.
O que não experimentar até a largada
Quatro dias é pouco tempo para descobrir como o seu corpo reage a algo novo. Deixe para depois da prova:
- Gel, cápsula, bebida esportiva ou suplemento que você nunca usou em treino, inclusive a amostra que veio na sacola do kit. O que já foi testado está no texto sobre gel e carboidrato na meia.
- Restaurante novo, rodízio, comida de rua desconhecida ou prato muito apimentado, principalmente se você viajou para correr.
- Pizza, feijoada, fritura ou rodada de petisco gorduroso na sexta e no sábado.
- Álcool na véspera: atrapalha o sono e a hidratação, e o brinde pode esperar a medalha.
- Café em quantidade ou horário diferentes do seu normal. Se você toma um cafezinho todo dia, mantenha; se não toma, domingo não é dia de estrear.
- Dieta da moda, jejum, chá detox ou corte de algum grupo de alimento para chegar mais leve.
Domingo: o café que já foi testado
O café da manhã da prova é o mesmo dos seus longões, no mesmo intervalo antes de correr. Largada cedo pede despertador ajustado para dar esse tempo, e não um café mais reforçado às pressas. Os detalhes estão no texto sobre café e refeição pré-meia, de 01/10.
Se a sua prova de domingo for de 5 ou 10 km
Muitos eventos do mesmo domingo têm distâncias mais curtas. Para 5 ou 10 km, não há motivo para carga de carboidrato nem para mudar o prato da semana: refeições normais, água ao longo do dia e o mesmo cuidado de não estrear nada já dão conta.
Expectativa realista
Nenhum prato em quatro dias cria condicionamento que o treino não construiu, e nenhum alimento garante tempo. O que a reta final faz bem é evitar problema: estômago pesado, banheiro no quilômetro 12, sono ruim. Se algo fugir muito do seu normal, como dor abdominal forte, vômito ou diarreia que não passam, procure atendimento antes de pensar em largar.
Resumo de quarta a domingo
- Quarta e quinta: rotina, com o carboidrato conhecido ganhando espaço, sem aumentar o prato.
- Sexta e sábado: porções normais, menos fibra pesada e menos gordura.
- Água ao longo dos dias, guiada pela sede e pela cor da urina.
- Nada novo: gel, suplemento, restaurante, álcool, café diferente.
- Domingo: o café dos longões e boa prova.
Fontes
- Thomas DT, Erdman KA, Burke LM. Position of the Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada, and the American College of Sports Medicine: Nutrition and Athletic Performance. Med Sci Sports Exerc, 2016;48(3):543–568. Acesse aqui.
- Burke LM, Hawley JA, Wong SHS, Jeukendrup AE. Carbohydrates for training and competition. J Sports Sci, 2011;29(supl. 1):S17–S27. Acesse aqui.
- Calendário (provas em 18/10/2026): Semana da prova 18/10: Athenas Longer e Meia Goiânia, Vamo Correr, 13/10/2026.
