
Treino
Prova no domingo (18/10): o que fazer — e não fazer — na sexta e no sábado
Por Rafael MendesTreinos e performance
Domingo, 18/10, tem largada para muita gente: Athenas Longer em São Paulo, Meia de Goiânia e um punhado de provas na capital paulista no mesmo dia. Se você está inscrito, o treino já foi feito. Sobram a sexta e o sábado, e é nesses dois dias que o amador mais se atrapalha: inventa um "último teste", faz tiro solto "só para sentir o pace" ou passa o sábado inteiro em pé e chega no domingo com a perna cansada.
Este texto trata só dessa véspera. Não é o polimento de cerca de 10 dias, que já ficou para trás (se quiser revisar, está em o que cortar e o que não inventar no polimento). Também não entra em comida e hidratação nem em kit e horário de largada, que têm matérias próprias, linkadas abaixo. Aqui o assunto é um só: o que fazer com as pernas na sexta e no sábado.
É conteúdo educativo geral. Não é plano individual e não promete tempo nem prevenção de lesão. Dor que muda a passada, tontura, mal-estar forte ou falta de ar fora do normal: pare e procure atendimento. Isso não se resolve com força de vontade.
Onde está o resto da semana da prova
- Kit, retirada e largadas de Athenas Longer e Meia de Goiânia: a Juliana Costa reuniu tudo em semana da prova 18/10: kit, largadas e o que conferir agora. Datas e horários mudam, e quem manda é o canal oficial da prova.
- O que comer nos dias antes da meia: faltam 4 dias para a meia: o que comer, beber e o que não experimentar até a largada, da Camila Rocha
Sexta: corrida curta, ritmo de conversa, zero teste de pace
A sexta antes da prova é o dia em que mais gente erra por excesso de ânimo. O que ajuda é movimento leve e conhecido, não estímulo novo.
Na prática, para quem já corre com alguma regularidade:
- Saída curta: menos tempo, ou menos quilômetros, do que um treino comum da sua semana. A ideia é manter o corpo acordado, não acumular cansaço.
- Ritmo de conversa: se você não consegue falar frases inteiras, está forte demais para a véspera.
- Zero teste de pace: não é dia de pedir ao relógio uma confirmação de que você está em forma. Se ajuda a evitar a tentação, esconda o pace na tela.
- Rota fácil e conhecida: prefira o percurso que você faz de olhos fechados. Morro novo ou "só mais um pedaço" costumam virar surpresa ruim.
Isso é adaptação, não prescrição: quem dormiu mal, viajou para a prova ou chegou moído do trabalho pode encurtar ainda mais, só caminhar ou ficar em casa.
Sábado: ativação leve ou descanso, sem longão disfarçado
No sábado, o pelotão amador costuma ir para um de dois extremos: ou some o dia todo, ou "só dá uma voltinha" que termina com tiro no final.
Ativação leve, quando faz sentido, é uma saída bem curta em ritmo fácil, sem nada de qualidade. Serve para quem se sente melhor com um pouco de movimento na véspera, não para quem está com dor, perna travada ou noite ruim. Se você termina a ativação mais cansado do que começou, ela não cumpriu o papel dela.
Descanso total também é uma escolha válida, principalmente se:
- a semana já teve bastante impacto;
- você viajou para correr em Goiânia ou em São Paulo;
- o sono de sexta foi ruim;
- a prova de domingo é a mais longa que você já fez e o corpo pede sossego.
O erro clássico do sábado é o longão disfarçado: um "contínuo confortável" que vai crescendo porque está gostoso. Na véspera, o bom é chegar inteiro, não somar volume.
Retirada de kit: tempo em pé também cansa
Muita gente retira o kit na sexta ou no sábado e passa horas em fila, rodando a feira da prova, indo ao shopping ou batendo perna pela cidade. Tudo isso conta como carga. Se a retirada vai ser longa, trate esse dia como dia de pouco impacto: ative menos ou descanse, sente quando puder e não transforme a feira num passeio de três horas. Os detalhes de local e horário estão na matéria da Juliana.
O sono das duas noites
A noite de sábado costuma ser agitada: ansiedade, despertador cedo, viagem. Por isso a noite de sexta também importa. Ela é a reserva que segura um sábado mal dormido. Algumas medidas simples:
- Na sexta, durma no seu horário de sempre ou um pouco antes. Não é dia de virar a noite em compromisso.
- No sábado, deixe roupa, número de peito e o caminho até a largada resolvidos cedo, para não deitar com a cabeça cheia de pendências.
- Se a noite de sábado for ruim, não entre em pânico. Uma noite mal dormida antes da prova é comum e não define o domingo. O problema é somar duas noites ruins e ainda insistir em treinar forte na véspera.
Calor: largue mais conservador e ajuste a expectativa
Outubro pode trazer dias quentes tanto em São Paulo quanto em Goiânia, e as previsões para domingo ainda divergem. Não confie em print de grupo: na sexta, confira a previsão oficial para a cidade e o horário da sua largada. Se o domingo vier quente, ajuste a expectativa de ritmo antes de largar, não no quilômetro 15. Largue mais conservador do que o planejado, aceite um pace mais lento sem culpa e trate o calor como parte da prova, não como falha sua. Ninguém precisa bater recorde em dia quente.
O que cortar nesses dois dias
- Sessão nova de força: agachamento "leve" ou musculação que você não vinha fazendo. Estímulo novo na véspera raramente ajuda no domingo.
- Tiro solto: "duas retas fortes para acordar a perna". Se não estava no plano das últimas semanas, não é agora que entra.
- Rota difícil nova: morro desconhecido, piso irregular ou treino no calor do meio-dia, que você nunca faz.
- Compensar o que faltou: a preparação acabou. O que não foi feito até quinta não se recupera na sexta à noite.
Perna pesada é normal. Isto aqui é sinal de freio
Sentir a perna pesada ou "sem mola" na véspera é muito comum. O corpo estranha a redução de treino, e a ansiedade aumenta a sensação. Isso costuma passar com o aquecimento e não é motivo para desistir.
Outra coisa são os sinais de freio:
- Dor localizada: um ponto específico, uma fisgada, algo que faz você mancar ou mudar a passada. Esse tipo de dor não é para "correr por cima".
- Perna que não responde no fácil: o ritmo que normalmente é de conversa fica pesado já nos primeiros minutos e não melhora.
- Mal-estar, tontura, febre ou falta de ar fora do normal: não largue. Se não passar, procure atendimento.
Pular a corrida de sexta ou a ativação de sábado não estraga a prova. Já insistir com um sinal claro costuma estragar. A inscrição não obriga ninguém a largar.
Checklist rápido
Sexta
- Saída curta, rota conhecida, ritmo de conversa?
- Zero teste de pace, zero tiro, zero força nova?
- Previsão oficial conferida? Sono no horário?
Sábado
- Ativação bem curta ou descanso, sem longão disfarçado?
- Retirada de kit sem virar passeio longo em pé?
- Roupa e logística prontas antes de deitar?
Domingo cedo
- Dor localizada, tontura ou mal-estar? Não é dia de forçar.
- Calor? Largue conservador e ajuste a expectativa de ritmo.
Uma véspera bem feita quase não aparece: não rende post no Strava e não tem estímulo novo. Você chega à largada com a mesma perna de sempre, só um pouco mais descansada. Bom domingo, e boa prova.
