
Treino
Vai viajar no feriadão de Finados? Como encaixar os treinos sem perder o ritmo nem se arriscar na cidade nova
Por Rafael MendesTreinos e performance
O feriadão de Finados começa no sábado, 31/10, e vai até a segunda, 2/11. Para muita gente, são três dias longe de casa, com estrada, rotina bagunçada e um percurso desconhecido. E, para quem tem prova em novembro, a pergunta é direta: dá para viajar sem perder a semana de treino?
Dá, com um pouco de planejamento. Um feriadão com treinos mais curtos, ou até um dia sem correr, não desfaz o que você construiu em meses. O que costuma atrapalhar é o contrário: tentar encaixar tudo, correr cansado da estrada num lugar que você não conhece ou compensar na volta o que ficou para trás. Este texto não é planilha nem plano individual. É um roteiro geral para ajustar ao que você já faz.
Antes de sair: decida onde fica o treino-chave
Se a sua semana tem um treino mais importante, normalmente o longão ou uma sessão de ritmo, resolva o lugar dele antes de fechar a mala. As opções mais comuns são três.
- Correr no sábado bem cedo, antes de pegar a estrada. Funciona para quem sai mais tarde e mora perto de um percurso conhecido. O treino sai como planejado, no lugar de sempre, e a viagem vira descanso. O cuidado é não dirigir horas logo depois de um longão muito puxado, com sono e pernas cansadas.
- Adiantar para quinta ou sexta. Faz sentido se a saída for na sexta ou no sábado de manhã. Se você já tinha um treino forte no meio da semana, troque um deles por uma rodagem leve, para não fazer duas sessões pesadas em dias seguidos.
- Deixar para segunda ou terça, na volta. É a opção de quem vai passar o feriadão inteiro fora. O cuidado aqui é não voltar da estrada na segunda à noite e fazer o longão na terça cedo, depois de dormir pouco. Se for assim, encurte.
Vale olhar o trânsito antes de decidir. A concessionária Renovias, que administra rodovias entre Campinas e o Sul de Minas, prevê mais de 680 mil veículos na sua malha no feriado, com fluxo mais intenso na sexta, das 14h às 19h, e no sábado, das 8h às 13h. Ou seja, quem corre no sábado de manhã e só depois sai pode pegar o pico. Cada rodovia tem sua própria previsão, então confira a da sua rota no site da concessionária.
Na estrada: as pernas também viajam
Horas sentado no carro ou no ônibus deixam muita gente com as pernas pesadas e o quadril travado. Isso é comum e costuma passar com movimento leve.
- Nas paradas, desça e caminhe alguns minutos. Não precisa alongar nem fazer exercício no posto.
- Beba água ao longo da viagem e não chegue ao destino com fome de muitas horas.
- Nunca corra no acostamento de rodovia. Não é lugar de treino.
Um trote leve na chegada pode ajudar quem chegou cedo, dormiu bem na noite anterior e está sem dor.
- Para quem: corredor que já faz rodagens leves na rotina e chegou com tempo de dia claro.
- Objetivo: soltar as pernas e conhecer o entorno, não cumprir quilometragem.
- Esforço: bem leve, de conversa solta. Uns 20 a 30 minutos bastam.
- Como adaptar: se a viagem foi longa e cansativa, troque por uma caminhada. Se chegou à noite, deixe para a manhã seguinte.
No destino: percurso seguro primeiro, treino depois
Na cidade nova, o percurso pesa mais que o ritmo. Antes de sair para correr, vale escolher onde.
- Prefira lugares feitos para isso: orla com calçadão, parque, pista pública de atletismo, ciclovia com faixa para pedestres. Pergunte a quem é do lugar onde o pessoal costuma correr.
- Corra em horário com movimento e luz do dia. O amanhecer é ótimo quando já tem gente na rua. Fim de noite em rua vazia, não.
- Faça um trajeto de ida e volta ou voltas num circuito curto. Fica mais fácil voltar, encurtar ou parar.
- Deixe alguém sabendo do trajeto e do horário de volta, leve o celular e algum documento.
- Se for treinar com pouca luz, roupa clara e refletiva ajudam o motorista a te ver. O Bruno Almeida explicou o que usar para ser visto.
Calor e altitude mudam a conta. Em destino de praia, o calor do meio da manhã já pesa, então o mais seguro é correr cedo e levar água. A Camila Rocha reuniu como se hidratar e quando trocar o plano no calor. Em cidade de serra, mais alta do que você está acostumado, é normal o mesmo ritmo parecer mais difícil. Guie-se pelo esforço, não pelo número no pulso.
E se o dia apertar? A ordem de corte é simples. Primeiro sai volume: um treino de 60 minutos vira 30. Depois sai intensidade: o treino de ritmo vira rodagem leve. Por último, o dia de corrida vira descanso. Trocar de dia não é falhar, e tentar compensar tudo no dia seguinte costuma sair pior.
Dor que muda a passada, tontura, falta de ar fora do normal ou mal-estar durante o treino não são para superar. Pare, procure sombra e água e, se não passar, procure atendimento.
Esteira de hotel: um treino de 30 minutos que vale
Se o lugar tem uma esteira, ela resolve dias de chuva, calor forte ou falta de percurso seguro. Um exemplo de sessão curta:
- Para quem: quem já corre com regularidade e tem algum treino de ritmo na rotina.
- Objetivo: manter o estímulo da semana em pouco tempo, sem sair moído.
- Como fazer: 10 minutos leves para aquecer. Depois, 5 blocos de 2 minutos em esforço confortavelmente forte, em que você ainda fala frases curtas, com 2 minutos leves entre eles. Feche com 5 minutos bem leves.
- Como adaptar: quem está começando pode trocar os blocos por alternância de trote leve e caminhada. Quem está em semana de polimento pode fazer menos blocos. Se a esteira for desconhecida, comece mais devagar do que faria na rua, até pegar o jeito.
Sem esteira, a mesma ideia funciona num circuito plano do parque ou da orla. E 30 minutos de rodagem leve também contam. Não precisa ser treino forte para valer.
Quem corre a Maratona de Curitiba: o que não pode cair nesta semana
Para quem vai correr Curitiba em 15/11, o feriadão cai na semana do último longão de verdade, como contei em Faltam 3 semanas para a Maratona de Curitiba. Ele é o treino que vale proteger: se a viagem ameaça o longão, faça-o antes de sair ou na volta, mesmo que um pouco mais curto, em vez de tentar encaixá-lo cansado num percurso que você não conhece.
- Não pode cair: o último longão, com tênis, roupa, gel e café da manhã de prova.
- Pode encolher: as rodagens leves da semana e o treino curto de ritmo.
- Não vale: dois treinos longos para compensar ou testar comida e tênis novos na viagem.
Se você vai correr uma prova no próprio feriadão, a Juliana Costa reuniu as provas de rua do feriado de Finados e o prazo de inscrição de cada uma.
Em resumo
- Antes de sair: defina o dia do treino-chave e não faça duas sessões fortes em dias seguidos.
- Na estrada: caminhe nas paradas, beba água e nunca corra em acostamento.
- No destino: orla, parque ou pista, em horário com movimento; cedo no calor, pelo esforço na altitude.
- Dia apertado: corte volume, depois intensidade e só então o dia de corrida.
- Esteira: 30 minutos bem feitos mantêm a semana em pé.
- Curitiba: o último longão é o que não pode cair.
